domingo, 5 de maio de 2013

Entrevista com Niltão Amaral

No início do mês de abril, eu fui acompanhar a primeira etapa do Brasileiro de Endurance, que aconteceu no Rio Grande do Sul, no Autódromo de Tarumã, e por lá correram além do Endurance, Sprint Race e Copa Classic. Não tive tempo de entrevistar o Niltão por lá. Nesta entrevista, ele fala o que realmente é o automobilismo gaúcho. Confira.


Velocidade Curitiba:  O que é o automobilismo gaúcho?

Niltão Amaral: É algo feito com muita paixão acima de tudo. Em relação à velocidade, o gaúcho é 80% paixão, e 20% qualquer outra coisa. A proximidade com países como Argentina e Uruguai, que também têm um povo extremamente apaixonado por automobilismo, ajudou a moldar o automobilismo gaúcho desta forma, sendo que tivemos grandes expoentes desde as provas de rua com as Carreteras, veículo pesados que eram tocados com maestria em condições totalmente adversas por caras como Catharino Andreatta, Breno Fornari, Aristides Bertuol, em embates com os hermanos e o resto do país. Tanto que os gaúchos ganharam as primeiras edições das Mil Milhas Brasileiras, em São Paulo, contra carros mais modernos.

Velocidade Curitiba: Das quatro pistas do Rio Grande do Sul (Velopark, Guaporé, Tarumã e Santa Cruz do Sul), qual delas é a favorita do pessoal do automobilismo gaúcho?

Niltão Amaral: Somos privilegiados em termos o maior número de autódromos do Brasil: quatro. E cada um com suas peculiaridades, fazendo com que os pilotos gaúcho, atualmente, tenham experiência em todos os tipos de traçados. Velopark, circuito inaugurado em 2010, com uma infra-estrutura de primeiro mundo e curvas de baixa, em sua maioria; Santa Cruz do Sul, inaugurado em 2005, bastante seletivo, com curvas de todos os tipos; Guaporé, inaugurado em 1976, com traçado de média-alta velocidade e sempre muito bem cuidado, recebe muito bem seus visitantes, o pessoal gosta bastante. E Tarumã, que é mítico, o mais rápido do Brasil, desafiador e outros adjetivos que fazem tremer muitos pilotos que têm medo de correr aqui e acabam dando desculpas e reclamando do autódromo para não assumir que são medrosos. "Tarumã tem alma", como disse o lendário piloto "Bocão" Pegoraro, e é querida por 10 entre 10 gaúchos que gostam de acelerar.

Velocidade Curitiba: Você considera que o automobilismo gaúcho é diferente dos demais?

Niltão Amaral: Justamente na questão da paixão pelo automobilismo. Apesar de ter menos verba, dinheiro circulante, que alguns estados do centro do país, compensa-se estas dificuldades com muita paixão, garra e vontade de acelerar. Temos os maiores grids de Fórmula (categorias formadoras) do país, com a Fórmula 1.6 e a Fórmula Júnior (que é só para pilotos vindos do kart sem experiência profissional, enquanto as fórmulas minguam por aí afora (Fórmula Futuro, mesmo com verba da Fiat, acabou; F3 Sudamericana amarga gridas próximos a 10 carros), enquanto tivemos 21 inscritos na F1.6 e 14 inscritos na F Jr. em Guaporé, duas semanas atrás, e só não tem mais pilotos na Júnior por falta de carros! Temos o único estadual de Endurance que funciona no Brasil, com grids com 20 ou mais carros; um Marcas extremamente competitivo que colocava 50 carros no grid, e agora, após um período desfavorável de dois anos, está voltando a crescer, inclusive temos preparadores gaúchos preparando e ganhando corridas em São Paulo e Minas Gerais; temos o Gaúcho de Copa Classic, que só encontra similar em São Paulo; e a monomarca mais antiga em atividade no país, a Copa Fusca, com 25 anos, e atualmentea única monomarca Fusca independente. E as 12 Horas de Tarumã, a prova mais longeva e de maior duração em atividade no Brasil. Isto, aliado à paixão do público daqui pela velocidade, que acampa e faz churrasco nos autódromos, mais o cenário de 4 autódromos faz o automobilismo gaúcho diferente dos demais.

Velocidade Curitiba: Falta alguma coisa para o automobilismo gaúcho ficar completo?

Niltão Amaral: Falta aqui o que falta em todo o Brasil: conquistar mais apoio na mídia esportiva, que só quer saber de futebol. Isto dificulta a vida dos pilotos, que acaba correndo "do próprio bolso", e muitas vezes não aguentando os altos custos do automobilismo, embora temos categorias relativamente baratas por aqui. Ou seja: mídia, que traz publicidade, que traz verba para o fortalecimento das equipes e, por consequência, do esporte.


Velocidade Curitiba:  Você compete na categoria Copa Classic a quantos anos?

Niltão Amaral: Comecei em 2007, quando a categoria ainda não era oficial, corrida com carro de rua misturado com carros de corrida, quase um trackday. Em 2009 a categoria foi regularizada e tivemos a primeira edição oficial do Campeonato Gaúcho de Classic, na época ainda chamado de Fórmula Classic. No final de 2010 eu, Sérgio Aguinsky e Fabiano Zanon assumimos a coordenação da categoria, num momento de descrédito, com apenas 12 carros no grid, e com muito trabalho, transparência e novas idéias, conseguimos o grid de 33 carros na preliminar das 12 Horas de Tarumã em dezembro passado.

Velocidade Curitiba: De todos os seus anos na categoria, qual foi o seu melhor momento?

Niltão Amaral: Todos os momentos são bons... Todo o envolvimento extra-pista, correria para mexer no carro, bolar melhorias. É uma categoria em que a diversão ainda está em primeiro lugar, havendo competitividade, mas dentro do espírito esportivo. Na verdade os melhores momentos são as etapas na qual consigo ter bons pegas na pista, como, por exemplo, com o Rogério Franz, um piloto leal com o qual se pode dividir curvas em várias voltas sem toques. As preliminares das 12 Horas também são especiais, por todo o clima mítico desta prova, da qual fazemos parte desde 2008.

Velocidade Curitiba: Como funciona a categoria?

Niltão Amaral: Na Copa Classic RS correm carros com 30 anos de fabricação ou mais, desde a fabricação inicial do modelo tenha se dado até 1979. Divididas em categorias: A, até 1000cc, B, até 1600, C, até 1800cc, e FL1 (até 2000cc) e FL2 (acima de 2000cc), sendo que nestas duas é permitido o uso de pneus slick e apêndices aerodinâmicos. O clima, na sua maioria, é de muita amaradagem, acima da competitividade que há na pista. Os carros evoluiram muito e hoje os ponteiros viram tempos semelhantes ao pole position da categoria turismo V da Endurance, que tem carros modernos.

Velocidade Curitiba: Qual das pistas do Rio Grande do Sul você mais gosta de andar?

Niltão Amaral: Faço parte dos 10 entre 10 que são completamente apaixonados e loucos por Tarumã. Pista rápida, que "separa os guris dos homens". Gosto bastante de Guaporé, também.
Velocidade Curitiba: Fica aqui o espaço para você agradecer seus apoiadores, patrocinadores, amigos, familiares.

Velocidade Curitiba: Fica aqui o espaço para você agradecer seus apoiadores, patrocinadores, amigos, familiares.

Niltão Amaral: Agradeço aos meu "velhos", especialmente ao meu pai, que é o respopnsável direto por me botar nesse "vício" que é o automobilismo, desde pequeno me levando ao autódromo para ver corridas e comer churrasco. Ao Paulo Sabiá, Sílvio e todos os demais da Mecânica Sabiá, bem como ao Roberto Maidana da MK Centro Automotivo, parceiros inconcidionais no desenvolvimento do carro e fornecendo todo o apoio necessário; ao Geraldão, que fez o layout pintado a pincel do Passat Canhão, um verdadeiro artista; o "Catarina", da Amilcar, pela força na chapeação do carro quando preciso; ao Rodnei Tardivo e ao Rogério "Taxa", grandes parceiros e consultores; aos meus patrocinadores, que acreditam no meu trabalho como piloto e como editor do Blog do Passatão, especializado em automobilismo gaúcho, e no programa via internet que faço ao vivo todo o domingo às 22h: Pro Tune Electronic Systems; Italian Car, AutoTech Motorsport, Fast Racing, Castelo Pack e Maria.i; ao Leonardo Tumelero, meu grande amigo e parceiro de pilotagem durante três temporadas, que agora está acabando de montar o seu Fusca; a todos que lêem o meu blog e assistem ao programa ao vivo; à minha esposa, por me aturar nesta "cachaça", e a todos que eventualmente não citei. E à Cíntia Azevedo, pela honra de pensar no meu nome para esta entrevista. Muito obrigado a todos.

No vídeo abaixo, um trecho da corrida do Niltão em Tarumã.



3 comentários:

  1. Muito obrigado pelo interesse em me entrevistar, é uma honra ser lembrado!

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  2. Parabéns pela entrevista, mas (velopark, Guaporé, Sta Cruz e Tarumã) são 4 quatro autódromos e não 3...

    Obrigado

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  3. Parabéns Cintia, a entrevista ficou muito legal!

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