quinta-feira, 9 de maio de 2013

Chefes de equipes avaliam participação de estrangeiros no Moto 1000 GP

Presença internacional contribui para o desenvolvimento dos pilotos do Brasil e contempla foco principal das equipes.
 
Um dos fatores marcantes do Moto 1000 GP nesta temporada de 2013, em que foi homologado como Campeonato Brasileiro de Motovelocidade, tem sido a participação de pilotos estrangeiros. As corridas da primeira etapa, que movimentaram o autódromo paulista de Interlagos no dia 21 de abril, tiveram em ação representantes de vários países. A segunda etapa, dia 26 de maio em Pinhais (PR), terá sete países representados nas cinco categorias.

A força internacional na categoria ganhou evidência em 2012, quando o título da GP 1000, categoria principal do Moto 1000 GP, foi conquistado por um argentino. Luciano Ribodino, 18 anos, foi campeão pela Alex Barros Racing. Ele integra o programa que o piloto Alexandre Barros criou para desenvolver jovens talentos sul-americanos da motovelocidade, visando sua preparação para atuar competitivamente no concorrido cenário europeu.

“Trazer um estrangeiro desse nível é uma forma de colaborarmos com a profissionalização da motovelocidade”, considera o chefe de equipe Henrique Krausse, da Center Moto Racing Team, time que conta com o piloto português Miguel Praia na categoria GP 1000. “Foi o que aconteceu com o motocross nos anos 80. A vinda de pilotos americanos fez a modalidade evoluir, aprendemos técnicas de pilotagem que até então não conhecíamos”, exemplifica.

Krausse vê o acesso às técnicas trazidas pelos europeus como maior benefício do processo de internacionalização do grid. “Isso implica um desafio, sobretudo na preparação da moto e na logística. O nível lá fora, principalmente na Europa, é muito alto. Por outro lado, da forma como as coisas estão progredindo, é questão de tempo para mais estrangeiros perceberem que o Moto 1000 GP é um dos campeonatos mais bem organizados do mundo”.

O Team SBK Ducati-Perfect Motors também inscreveu um europeu na GP 1000 – o italiano Sebastiano Zerbo, parceiro do paulista Diego Pretel. “Há uma tradição e uma cultura muito forte por motos de quatro cilindros no Brasil, o brasileiro é apaixonado por essas motos, mas a conversa muda quando se fala em motores bicilíndricos”, ilustra o chefe de equipe Carlos Ludman. “Não lembro de um brasileiro vencendo com a Ducati num passado recente”.

A experiência dos italianos com a especificidade técnica determinou a vinda de Zerbo para a equipe. “A experiência dele vai nos ajudar a difundir a cultura dos motores de dois cilindros”, segundo Ludman, que nota o interesse internacional no evento. “Todos os dias eu recebo uma ligação ou um e-mail de pilotos da Itália, da Espanha, de Portugal, da Itália, dos EUA, até da África do Sul. Assim, logo teremos um grid mezzo italiano, mezzo brasileiro”, arrisca.

A representatividade europeia terá reforço já a partir da etapa curitibana, com a volta do francês Matthieu Lussiana, pela Motoclube36. “Vamos manter a estrutura que montamos na França com o Team Brasil, que já teve o Matthieu como piloto, para mostrar aos brasileiros que pilotagem e preparação física são fundamentais, mais até que peças especiais”, explica Philippe Thiriet, chefe da equipe mineira. Philippe Braga Thiriet é o outro piloto do time.

O chefe de equipe, que tem o filho homônimo como um dos pilotos, vê a vinda de grandes nomes internacionais como trunfo para o desenvolvimento dos competidores brasileiros. “No ano passado o Matthieu serviu como ‘coelho’ para o Philippe e o Heber Pedrosa e o resultado disso foi incontestável, os dois baixaram os tempos de volta em mais de dois segundos só na tentativa de acompanhar o francês. Esse é o nosso foco, formar jovens brasileiros”, frisa.

A adaptação aos métodos e costumes característicos de cada país não tem sido problema para pilotos e equipes. Diego Quirino, diretor da Petronas Eurobike SBK, relata que a naturalidade marcou o início da parceria da equipe com o espanhol Alberto López, inscrito na GP 1000. “Parecia que todos eram conhecidos há muito tempo, isso permitiu uma sinergia muito boa no trabalho. O Alberto se mostrou muito à vontade”, relatou.

López, nas três últimas temporadas, competiu no CEV, principal evento da motovelocidade de seu país. “A Espanha é vista na Europa como um berço de campeões mundiais. O Brasil começou a se desenvolver profissionalmente nesse segmento agora, enquanto na Espanha trabalha-se há anos num padrão de nível mundial. A partir da vinda do Alberto, mais pilotos e equipes de lá já se mostram mais interessados e atentos no Moto 1000 GP”, expõe Quirino.

PÓDIO INTERNACIONAL

A primeira etapa da categoria GP 600 no Moto 1000 em Interlagos deu um exemplo claro da força estrangeira na competição. A vitória na prova foi do argentino Sérgio Fasci, que teve à sua esquerda no pódio o espanhol Manuel Gimenez Gordo, terceiro colocado. A presença brasileira na festa de premiação foi assegurada pelo paulista André Veríssimo, atual campeão, que terminou em segundo lugar com a Kawasaki da Motrix-Scigliano Racing.

Fasci cumpre em 2013 sua sétima temporada como piloto da MG Bikes Yamaha Racing. “A experiência dele é essencial para enfrentarmos esse novo desafio internacional”, entende o chefe de equipe Adrian Diego Aparício. “Nós viemos para o Moto 1000 GP em busca de mais experiência”, informa Aparício, prevendo uma presença ainda mais marcante de argentinos na sétima etapa, no circuito gaúcho de Santa Cruz do Sul, pela proximidade geográfica.

Gimenez disputa a GP 600 pela curitibana Grinjets Superbike, chefiada pelo piloto argentino Gustavo “Gringo” Rodríguez. “O Manuel é um amigo que fiz quando atuei na Europa, testamos pela mesma equipe. A Grinjets é formada também por vários mecânicos estrangeiros e engenheiros estrangeiros que nos dão assessoria em vários aspectos. E já temos várias propostas de pilotos da Espanha e da Argentina para a próxima temporada”, ele revela.

Texto: Grelak Comunicação
Foto: Sérgio Sanderson

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